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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fifo Lima fala dos 18 meses de blog

Cine Luz: Tudo bem?
Fifo Lima: Tudo!
Cine Luz: Quanto tempo de blog?
Fifo: Tá chegando a 1 ano e meio.
Cine Luz: Um post por dia?
Fifo: Falhei em dois momentos, quando fiquei uma semana sem postar.
Cine Luz: Por que essa compulsão?
Fifo: Vai saber!
Cine Luz: Quantas visitas?
Fifo: No total, 31.850 visitas.
Cine Luz: Quantas visitas diárias?
Fifo: Atualmente, 90. Há 18 meses eram 30.
Cine Luz: Quem são e quantos visitantes?
Fifo: A maioria é de Santa Catarina. Há também de outros Estados brasileiros e do exterior. Não tenho uma medição, mas a motivação, acredito, é por informações sobre o cinema produzido no Estado. É também o caso de profissionais de SC que foram trabalhar em outras plagas e não querem perder o contato com o cinema da terrinha. São uns 300 visitantes, que se alternam em visitas diárias, semanais, mensais. É um gueto ampliado.
Cine Luz: Na chamada do blog, lá em cima, tá escrito: “Reflexões, Informes e outras Intervenções sobre o Cine Catarina” Você tem seguido este caminho?
Fifo: Sim. Só lamento que no caso de reflexões elas tenham sido sobre burocracia e não sobre filmes. Queria ter escrito sobre Cerveja Falada, dirigido por Guto, Demétrio e Cudo, um documentário raro pela maneira íntima em que o mestre cervejeiro Rupprecht Loeffler, de Canoinhas, é captado. O filme tem muitas nuances. O movimento de Dona Gerda, 86 anos, e Loeffler, 93, marido e mulher, por exemplo, daria um texto. Loeffer está sentado no escritório e a mulher o circula. Estão casados há mais de 60 anos. Desenvolveram códigos particulares e explícitos de entendimento e convivência. A alegria do filme é outra camada. Mas poderia falar também do que não me agradou, como o título do doc e o desfecho abrupto. Assiste duas vezes, e na segunda suportei melhor o corte final.
Cine Luz: Este filme foi feito a partir de um SC em Cena, da RBS TV, não é?
Fifo: Sim. Os diretores conheceram a cervejaria “Canoinhense”, de mestre Loeffer, em 2007, durante a gravação de um dos programas, que abordava as cervejarias surgidas a partir da chegada dos alemães. Aí resolveram fazer um filme em torno de Loeffer.
Cine Luz: Falando em SC em Cena... Acabou?
Fifo: Pois é. É o que parece. É uma pena. Era uma janela extraordinária. Talvez o programa possa ser repensado. Na verdade, não houve uma movimentação dos produtores, tentando negociar, conversar, propor alternativas. Enfim.
Cine Luz: Há outras janelas também!
Fifo: Claro, a Contraponto, do Maurício e da Kátia, produziu o Ser Cultural, série de programetes que foram ao ar pela RIC Record no final do ano passado e estão disponíveis numa página no Vímeo. É o primeiro projeto de TV financiado pela lei municipal de incentivo à cultura.
Cine Luz: E o cinema catarinense vai bem?
Fifo: Se formos julgar pela premiação em festivais, o ano de 2010 foi representivo. Tivemos premiações de filmes realizados pelo Edital Catarinense de Cinema (ex-Prêmio Cinemateca) e por outras fontes de financiamento. O blog tem publicado - às vezes com atraso -, é verdade, as premiações. É o caso do post anterior, sobre Cinemaiêutica, do joinvilense Rodrigo Falk Brum, indicado em 23 de janeiro para o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o Oscar Nacional. Chamar de Oscar já é uma maneira colonizada de pensar, mas vá lá!
Cine Luz: E qual é o futuro desta cinematografia que você chama catarina?
Fifo: Sinto muito, mas já acabou o tempo. Combinamos 30 minutos.
Cine Luz: Mas...

Foto: Fábio Brüggemann

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Um pãozinho quente todo dia"

No aniversário de um mês do blog, Fifo Lima concede entrevista exclusivíssima sobre os primeiros 30 dias. Na imagem, o blogueiro com os filhos, Victor e Júlia, na praia da Atalaia, em Itajaí. A foto foi feita pelo sobrinho e afilhado, Artur Laureano de Lima. Tudo em família.

Cine Luz: E o blog?
Fifo Lima: Tá legal.
Cine Luz: Como assim, legal, ninguém comenta nada. Você escreve prá quem, tchê?
Fifo: De certa maneira escrevo pra mim.
Cine Luz: Mas convenhamos que para escrever para si não há necessidade de um blog, não é?
Fifo: Bem, digamos que eu não esteja tão solitário assim. Em um mês houve mil acessos, 30 por dia. Isto representa um universo de 50 a 60 leitores, mas trata-se de um gueto.
Cine Luz: Não é um exagero publicar um post por dia?
Fifo: Pode ser, mas para mim blog é que nem padaria, é preciso servir um pãozinho quente todo dia.
Cine Luz: Mas há tantos filmes assim sendo produzidos no Estado pra justificar a existência de um blog?
Fifo: Não são só os filmes que geram posts, mas os editais, mostras, festivais. Ou a abertura de inscrições para uma oficina, um produtor à procura de atores ou figurantes, um personagem. E embora o cinema catarina seja o foco, o assunto não é só esse. Tem sido postados curtas selecionados, de qualquer nacionalidade, para uma espécie de sessão Cine Luz.
Cine Luz: Sim, e os filmes produzidos na Santa e Bela?
Fifo: Os filmes são o que há de mais importante, mas a produção está concentrada em Florianópolis. Recentemente a Letícia Cardoso e o Pedro MC lançaram Entrelinhas. Na Mostra do Funcine 20 anos, que ocorre esta semana, há duas pré-estreias, Sereia, de Yannet Briggler e ET- Emissário da Terra, de Rafael Schlichting e Cláudia Cárdenas. Todos produzidos com recursos do edital Armando Carrreirão, do Funcine. Há ainda outro lançamento para breve, Espírito de Porco, de Chico Faganello e Dauro Veras, do Edital de Cinema do Estado (ex-prêmio Cinemateca).
Cine Luz: E falando em edital de cinema, você não acha que o blogueiro é condescendente com os produtores do Estado? E os inadimplentes do prêmio estadual?
Fifo: Há uma lista sim para cobrança judicial. Um dos proponentes de um projeto vencedor, que recebeu parte do prêmio e não realizou o filme, diz que vai devolver o dinheiro. É preciso ter cuidado com este tipo de informação, mas a lista será publicada no blog.
Cine Luz: Você não acha um exagero falar em cinematografia catarinense?
Fifo: Não. Acho que a partir do final dos anos 80 foi iniciada uma onda produtiva regular que agora começa a criar ramificações de linguagem.
Cine Luz: Que ramificações?
Fifo: Linguagem cinematográfica original.
Cine Luz: Como assim?
Fifo: Na produção recentíssima, da última safra, digamos assim, há exemplares de vigor de linguagem, de gramática própria, como é o caso de Sistema de Animação, de Alan Langdon e Guilherme Ledoux, Cruz e Souza - A volta de um desterrado, de Rafael Schlichting e Cláudia Cárdenas e Paisagem Urbana, de Pedro MC, só para citar alguns.
Cine Luz: São três documentários.
Fifo: Essa delimitação é uma camisa de força.
Cine Luz: Por que?
Fifo Lima: Porque cinema é arte e arte é ficção.
Cine Luz: E a crítica, a reflexão, anunciada na linha de descrição do blog?
Fifo: A crítica estabelece uma relação de amor e ódio e ela precisa ser sedimentada, lentamente. Mas já publiquei aqui uma leitura crítica do filme Entrelinhas, do Pedro e da Letícia. A crítica é um ponto de vista, um ponto de partida para o debate. Criticar é aprender com o filme.